segunda-feira, 30 de março de 2015
PORQUE RESPEITAR OS MALANDROS NA LINHA DA UMBANDA?
Na Umbanda, um ponto de discórdia para muitos ainda é a figura de Zé Pilintra, principal representante da Linha de Malandros. Em muitos Terreiros de Umbanda esta Linha ainda é impedida de trabalhar, assim como ainda ocorre com Marinheiros e Boiadeiros.
É importante lembrar que a Umbanda é uma religião brasileira, aberta e em pleno desenvolvimento, e que deve estar sempre receptiva para todos os que nela queiram praticar a caridade. Não cabe a nós julgar a importância ou não de uma Linha de Trabalho, já que o respeito ao ser humano, encarnado ou desencarnado, é a base fundamental para o nosso progresso como espíritos em aprendizado constante.
Zé Pilintra e sua falange foram introduzidos na Umbanda a partir do Catimbó, culto praticado no Nordeste brasileiro que se apoia bastante na religião católica, apesar de guardar certas práticas pagãs; Zé Pilintra é um dos mestres desse culto. Poucos sabem, mas Ele teve vida na Terra. Nascido em Pernambuco, José Gomes da Silva, como era chamado, ainda jovem foi viver no Rio de Janeiro, onde frequentava a boemia do bairro da Lapa.
Fez amigos entre a malandragem e bandidagem da época, sendo querido por todos. Perito em jogos de azar (baralho e dados) ganhava de todos os que ousassem desafiá-lo. Exímio no manejo de armas brancas, sempre estava pronto a defender os injustiçados. Desencarnado, manifesta-se na espiritualidade e recebe passagem na Umbanda, sempre trabalhando na Luz, ajudando os necessitados e subjugados.
São entidades a quem devemos respeito e consideração, daí o cuidado nos Terreiros para que, quando incorporados nos médiuns, não façam uso de drogas ou exagerem no consumo de bebidas alcóolicas. Cigarros e charutos com moderação são aceitos, pois a fumaça funciona como defumador astral e auxilia nos trabalhos.
Zé Pilintra é também considerado o “advogado dos pobres”, trabalha na cura de males físicos e espirituais e tornou-se “chefe” da Linha dos Malandros. São entidades de Luz carismáticas e chegam nos Terreiros com alegria e vitalidade.
Alguns membros da sua falange são: Chico Pelintra, Zé da Virada, Zé Camisa Preta, Zé Mineiro, Zé Camisa Vermelha, Zé Camisa Listrada, Zé da Mata. Malandro da Baixa do Sapateiro, Malandro da Lapa, Malandro do Pelourinho, Malandro da Praia, Malandro da Zona Portuária, entre outros.
quarta-feira, 25 de março de 2015
GUIAS
CONFECÇÃO DAS GUIA
As guias de proteção devem se confeccionadas com produtos naturais, que sejam excelentes condutores de energia.
Dependendo de cada casa e de suas regras, podem ser feitas de sementes, madeira como o bambu, pedras, porcelana, conchas, cristais. Não devemos usar plástico ou tipo de material similar, pois estes não são filtros indicados para o trabalho espiritual.
Serão confeccionadas de acordo com as regras da casa espiritual ou a pedido de uma entidade específica. Mesmo a pedido, a guia só poderá ser confeccionada se autorizada pelos dirigentes ou pelos guias chefes.
Existem casas especializadas em venda das guias prontas e que também seguem as mesmas regras. Como são colares imantados, precisam ser bentas pelo guia chefe ou pelos dirigentes para que possam ter a mesma tônica vibracional daquelas que todos os outros médiuns que se encontram na mesma roda utilizam. Todo material utilizado pelos médiuns tem que estar na mesma vibração, na mesma harmonia como um todo. Assim, cada vez mais a corrente espiritual se fortalece.
Todas as guias, para terem valor vibracional, devem ser imantadas e fundamentadas. O número de contas será dito pelo dirigente após autorização do guia chefe.
As firmas utilizadas para fechamento das guias servem como espaço mágico para receberem e distribuírem de uma maneira contínua as energias e para formarem assim uma campo magnético fechado ao longo da corrente de contas, passando energia de uma a uma.
LIMPEZA DA GUIAS
Deverão ser colocadas em uma bacia com água e cobertas com ervas específicas. Normalmente, utilizamos o boldo (erva de Oxalá), no que chamamos de tapete de Oxalá. Essa limpeza também poderá ser feita em mar aberto, nas cachoeiras ou deixando esticadas no altar para imantação.
sábado, 14 de março de 2015
SALVE A MALANDRAGEM !!
Malandro bom, trabalha em qualquer lugar, vem na Linha de Exu, porque sabe se comportar. Também vem com a dos Baianos, Catimbó e Juremá, Malandro bom, sabe se relacionar. Não nasci para Umbanda, nasci para lhe ajudar, se chamar por mim na igreja, te encontro no altar. Se na roda de amigos, um vier a precisar, tenha fé que apareço, ajudo em qualquer lugar. Já baixei em centro espírita, falando como doutor, por que ali um certo dia, um amigo precisou. Já baixei como poeta, repentista, trovador, sou malandro, sou esperto, só Deus é meu detentor. Uns me chamam de Caboclo, de Baiano, Exu, Mestre e Doutor, sou no mundo dos espíritos, mais um trabalhador. Não escolho lado fixo, pois em movimento estou, não há certo ou errado, no aprendizado que dou. Uso branco, uso vermelho e uso preto também, sou malandro brasileiro, vivo a fazer o bem. Eu trabalho pra meu Pai, não trabalho pra ninguém, faço uso do que posso e não excluo ninguém. Salve a Malandragem!
quarta-feira, 11 de março de 2015
Salmo 23 Umbandista:
Oxalá é meu Pastor, nada me faltará! Deitar-me faz nos verdes campos de Oxossi. Guia-me Pai Ogum mansamente nas águas tranquilas de Nanã Buruquê. Refrigera minha alma Pai Obaluaê. Guia-me, mãe Iansã, pelas veredas da justiça de Pai Xangô. E ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte, não temerei mal algum porque Omolú está comigo e o cajado de Oxalá é meu guia na direita e na esquerda Me consola mamãe Oxum, prepara uma mesa cheia de vida para mim, oh mãe Iemanjá! Exú e Pomba Gira afastem de mim os inimigos da caminhada. Unge a minha coroa com o óleo consagrado de Olorum e o meu cálice, que é meu coração, transborde com a pureza da Ibejada...E certamente, a bondade e a misericórdia de Oxalá estarão comigo por todos os dias de minha vida! Saravá!
terça-feira, 10 de março de 2015
SESSÃO DE UMBANDA
SESSÃO DE UMBANDA.
O Centro de Umbanda serio é um grande hospital de almas( Que é o Espírito encarnado), tendo o apoio das falanges espirituais do Astral Superior.
As giras de caridade são grandes prontos-socorros espirituais, onde não se escolhe o tipo de atendimento..
Os consulentes que procuram os pretos velhos e caboclos para a palavra amiga e o passe, trazem os mais diversos tipos de problemas: doenças, dores, sofrimentos, obsessões, desespero, etc.
Processa-se a caridade sem alarde, pura, assim como o Oxala (Jesus) procedia, atendendo a todos que o procuravam.
É indispensável um ambiente harmonioso e de energias positivas no grupo de médiuns que formarão a corrente vibratória.
Para conseguir as vibrações elevadas se cantam pontos, que são verdadeiros mantras; faz-se a defumação com ervas de Descarrego e Luistral que auxiliam a elevar as vibrações.
No plano astral estabelece-se um campo vibratório de proteção espiritual. Vários quarteirões em volta do local da gira.
Espíritos malfeitores tentam passar por esse cordão de isolamento, mas são repelidos por uma espécie de choque, através de uma imperceptível malha magnética.
Outras entidades que acompanham os consulentes não são barradas e, ao adentrar no templo, são colocados em local apropriado para espera.
Várias entidades auxiliares lhes prestam socorro e preparação inicial.
Por isso, os consulentes sentem muita paz quando entram numa casa e aguardam o momento da consulta.
No ato da consulta, o guia ou protetor está trabalhando junto ao médium e dirige os trabalhos, tendo vários auxiliares invisíveis que ainda não “incorporam”. Havendo necessidade é dada a passagem para as entidades obsessoras ou sofredoras que estão acompanhando os consulentes para que possam se recuperar, através do choque anímico com o médium .
Os espíritos que estão com o médium manipulam com grande destreza o ectoplasma do médium que é “macerado” com princípios ativos de ervas e plantas, fitoterápicos usados na cura.
Os espíritos da natureza trabalham ativamente buscando estes medicamentos naturais dos sítios vibratórios que são afins, bem como, recolhem, para a manipulação perfeita do caboclo ou do preto velho, as energias do fogo, ar, terra e água, que sempre estão em semelhança vibratória com os consulentes, refazendo as carências energéticas localizadas.
É a magia dos quatro elementos para amenizar os sofrimentos dos homens..
O dia de Atendimento Fraterno no terreiro é cume da grande montanha que se chama CARIDADE.
segunda-feira, 2 de março de 2015
PRECE A NOSSO SENHOR DO BONFIM
Meu Sr. do Bonfim, acho-me na Tua presença, humildemente, para receber de Ti, todas as graças que quiseres me dispensar.
Perdoai-me, Senhor, por todas as faltas que porventura eu tenha cometido por obra ou pensamento.
Fazei-me forte para vencer todas as tentações e malfeitos do inimigo. Que o sagrado Orixá Ogum corte com sua espada todos os males que de mim se acercarem.
Que Yemanjá, Raínha do Mar, com a Tua proteção, leve sob grilhões para o fundo do mar toda a inveja que sobre mim, recair;
Que Oxum leve consigo todas as lágrimas que eu tenha a chorar,para nunca o desespero ou a desgraça me alcançar;
Que Ossanha afaste de mim todas as tempestades para os ventos da bonança me trazerem prosperidade;
Que toda a fortuna do mundo possa chegar aos meus pés, com a proteção do grande orixá Oxum-Maré;
Que Xangô do alto da sua Santa Pedreira solidifique todos os bens que eu alcançar.
Salve o Sr. do Bonfim, salve todos os Orixás, que me protejam na vida, para nada me faltar.
Assim Seja.
SINCRETISMO
Houve um triste tempo em nosso país onde os negros trazidos à força da África sofriam com a saudade de seus lares, parentes e amigos. Obrigados a uma rotina de maus tratos torturante sentiam falta de seus ritos tradicionais com danças, cantos e louvores aos orixás de sua terra. Ao observarem a fé de seus senhores totalmente direcionada aos cultos católicos, os negros passaram a disfarçar seus hábitos religiosos usando os santos da igreja como “sombra” para seus deuses. Colocavam imagens católicas no meio de suas rodas e louvavam durante a noite as suas divindades, sempre dizendo aos feitores que era o jeito africano de homenagear os santos de seus senhores. Estes, por sua vez, estranhavam os batuques e os cantos em linguagem indecifrável, o que fazia tudo parecer feitiçaria, mas ficavam tranqüilizados ao saberem que eram festas para os santos católicos, chegando, às vezes, a freqüentar as rodas religiosas. Desse pequeno embuste surgiu a tradição do uso de imagens católicas para identificar os santos de Umbanda e Candomblé, o que na realidade não existe. Claro está que hoje esse sincretismo deixou de ser necessário, mas os pais no santo admitem que ao se ter uma imagem para direcionar suas preces e pedidos, os filhos sentem-se mais a vontade, pois os orixás são forças da natureza, energia vibrante do vento, da chuva, do fogo e assim por diante. Como relacionar nossas orações a essas energias sem uma imagem que as torne mais “palpáveis”? Temos também um problema relacionado a isso que é a falta de imagens umbandistas para os santos de nossa fé, com exceção feita a Iemanjá, que todo o povo já relaciona à bela imagem da moça vestida de azul. Os outros orixás não têm uma imagem para ser colocada em nossos congás, portanto, continuamos a colocar em nossos altares os santos católicos e confiamos, sim, neles e nos orixás que sabemos não ter essa representação. Hoje existem vários terreiros que exibem em suas casas imagens dos santos do Candomblé. É errado? Não. Tudo vale desde que haja o respeito e a fé necessários para um bom trabalho. Que as mentes estejam direcionadas para a energia que o congá nos transmite e eleve nossos pedidos e pensamentos até o Pai celestial e que os santos, católicos ou não, nos ajudem como mensageiros Dele, que na verdade os são. Respeitemos então o sincretismo como tradição que devemos aceitar e resguardar para o futuro de nossa religião. A Umbanda é um celeiro de fé e nela cabem todas as espécies de crenças que possam nos levar ao objetivo maior de amor e caridade pregado pelas nossas entidades.
Luiz Carlos Pereira
Palavra originada do grego, significa sistema que consiste em conciliar os princípios de varias doutrinas ou filosofias.
A correspondência de Santos Católicos com os Orixás africanos, veio pela única maneira que os negros escravos tinham de escapar dos castigos e perseguições dos seus senhores e de religiosos que tentavam difundir o catolicismo, impondo a crença com as suas representações católicas.
Deste modo, colocavam sobre o Peji dos assentamentos, dos Otás relativos aos Orixás, estampas e imagens dos santos católicos ; de acordo com as explicações que recebiam dos missionários e assim fugiam da ira de seus senhores cultuando os fetiches, as representações dos deuses africanos.
Orixás Santos Catoólicos.
Oxalá
N.S.Jesus Cristo, N.S. do Bonfim
Xangô
São Jerônimo, São Pedro
Ogun
São Sebastião (Bahia), São Jorge (RJ)
Oxossi
São Sebastião(RJ), São Jorge (Bahia)
Obaluaiê
São Lazaro, São Roque
Oxumare
São Bartolomeu
Logun edé
Santo Expedito
Ibeji
São Cosme e São Damião
Exu
Santo Antônio
Nanã
N.S.Santana
Iemanjá
N.S. da Glória, N.S. dos Navegantes
Oxum
N.S.Conceição (RJ), N.S. das Candeias (Bahia)
Iansã
Santa Bárbara
Obá
Santa Catarina
OS PRETOS-VELHOS
Os Preto-velhos
Os Pretos Velhos são os espíritos dos nossos irmãos africanos trazidos ao Brasil na época da colonização, período em que a raça negra foi escravizada pelo colonizador português em nosso Pais. Os negros foram ainda escravizados por outras nações em outras partes do mundo, como exemplo; os Espanhóis que também os escravizaram na colonização da América Central e os Ingleses que os escravizaram na época da colonização da América do Norte.
Com nossos irmãos africanos aprendemos lições (muito difíceis de praticar) de perdão sem limites e amor ao próximo, de forma, que nenhuma outra entidade com a qual tivemos contato conseguiu transmitir. Na Umbanda apresentam-se como espíritos muito simples e extremamente bondosos, são sempre muito pacientes em tudo o que fazem e ensinam.
Normalmente desencarnaram em idades avançadas, por esse motivo apresentam-se nos templos, arqueando o corpo do médium, transmitindo a impressão de alguém com muita idade.
No desenvolvimento de seus trabalhos que são sempre muito sérios, ouvem mazelas e sofrimentos de toda espécie, transformando o desenvolvimento de seus trabalhos em verdadeiras sessões de psicanálise, ocasião em que sempre trazem o conforto e a paz de espírito a todos que os procuram. Trabalham sentados em banquinhos ou em pé, usam cachimbos, charutos ou cigarros de palha em suas defumações.
Quando encarnados nas senzalas eram praticantes e grandes conhecedores dos processos da velha magia africana, inclusive a negativa. Hoje utilizam esses conhecimentos para desmanchar feitiços e macumbas tenebrosas.
Chegaram ao Brasil acorrentados em navios conhecidos como negreiros ou tumbeiros. A falta de higiene, os maus tratos e as doenças faziam com que muitos morressem durante a viagem, daí o nome tumbeiro também usado para navio negreiro. Quando chegavam ao Brasil eram vendidos como animais em leilões públicos e em seguida espalhados pelo Brasil. Aqueles que os compravam, procuravam fazê-lo em lotes de diferentes nacionalidades, costumes e idiomas, com o objetivo de dificultar a confraternização e as fugas.
Espalhados pelo Brasil, fundaram em conjunto ou não com os nossos índios vários cultos, dando origem ao Candomblé na Bahia, ao Catimbó no nordeste, O Xangô em Pernambuco e o Batuque no Rio Grande do Sul e outros cultos menores e muito raros como o Omolocô e o Tambor de Minas.
Na Umbanda essas nações formaram a conhecida linha dos Pretos Velhos, por espíritos desencarnados na época da escravidão. Seus trabalhos sempre muito simples atingem psicologicamente os adeptos da religião, ocasião em que seus consulentes descarregam mágoas, aborrecimentos, dores, neuroses, conflitos, etc.
São grandes conselheiros, são espíritos missionários, depuraram-se no cativeiro, presos aos grilhões e sob a tortura e o peso da chibata. Perdoaram aqueles que os escravizaram, resgataram suas dividas kármicas e hoje nos ensinam a ter fé em Deus, praticar os ensinamentos do Evangelho de Jesus e a ter confiança no futuro.
Nem todos os negros escravos são hoje Pretos Velhos, aqueles que se apresentam nos terreiros de Umbanda nessa condição, são somente aqueles que conseguiram perdoar a dor da chibata, as humilhações morais e todas as demais dores e afrontas impostas e praticadas pelo branco colonizador.
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